Nos dias 14 a 16 de julho, aconteceu em São Paulo o IV Congresso Brasileiro de Publicidade.
Neste evento foram discutidos diversos assuntos do universo da mídia, dentre eles a publicidade tendo o público infantil como alvo.
No dia 9 de julho de 2008 a Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara aprovou a lei que proíbe qualquer tipo de publicidade destinada à criança em todos os meios de comunicação, merchandising em programas infantis fica proibido.
Este tema foi amplamente discutido no IV Congresso Brasileiro de Publicidade, veja alguns comentários de especialistas a respeito do tema:
'Liberdade de expressão é uma coisa; anunciar produtos,outra'
GUILHERME CANELACIENT. POLÍTICO E COORD. AG. DE NOTÍCIAS DOS DIR. DA INFÂNCIA
'A proposta enfraquece a liberdade de expressão no País'
DANIEL PIMENTEL SLAVIERO - PRES. DA ASSOC. BRAS. DE EMIS. DE RÁDIO E TV – ABERT
Mas até que ponto a publicidade pode interferir no consumo infantil?
Tendo como base o artigo “A influência das ferramentas de comunicação sobre o comportamento de compra infantil” de Christiane Coutheux analisaremos esta questão.A autoria justifica o seu estudo perante a parcela significativa de “consumidores infantis”, cerca de 30% da população é constituída de criança de 0 a 14 anos. Considerando está parcela representativa temos como concluir que para o mercado isto significa uma grande movimentação financeira. De acordo com o crescimento da criança a sua importância no consumo se torna mais expressiva, numa participação passiva, a criança já estimula o consumismo desde seu nascimento, com a utilização de fraldas descartáveis com diferentes recursos. Conforme a criança cresce, a mesma já absorve estímulos externos (televisão, escola) o que a transforma num consumidor que interfere no poder de compra de seus pais, detentores do poder econômico já que apenas 9% deles afirmam não ceder aos pedidos dos filhos. A criança consegue interferir totalmente no consumo familiar, por exemplo, na alimentação, vestimenta, programação cultural, etc.
O que também favorece a transformação consumista da criança é a revolução tecnologia e dos tempos, hoje crianças já possuem um amplo ambiente de consumo e de interferência externa, com a utilização da internet, que acaba incentivando e colaborando com todas as mudanças da população infantil, pois antes desta revolução a criança possuía outros pensamentos, mas com novas possibilidades o comportamento e o pensamento infantil mudaram completamente.
A questão é tão profunda que as crianças possuem grande poder de influência no consumo familiar, já que a propaganda incentiva não somente o consumo infantil direto, e sim que a criança consiga interferir da compra de um determinado biscoito até uma ração de cachorro.
Com base nas explicações e argumentações da autora temos a convicção de que o comportamento dessa parcela da população sofreu uma alteração grandiosa, suas necessidades que antes se baseavam em um chocolate com um adesivo de algum desenho que ela gostava ou de até mesmo de uma revista em quadrinho, hoje é baseado em cosméticos, roupas de grife e produtos de moda, tudo de acordo com as interferências externas, com a possibilidade de se tornarem adultos sem cultura, apenas com pensamentos fúteis.
Fontes:
“A influência das ferramentas de comunicação sobre o comportamento de compra infantil”http://www.ead.fea.usp.br/tcc/trabalhos/TCC_Christiane%20C%20Trindade.pdf
A publicidade dirigida a crianças deve ser proibida?
http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup208931,0.htm


